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NOTA PÚBLICA DO SINTEP/VG SOBRE A VIOLÊNCIA SOFRIDA POR DIRIGENTE SINDICAL DURANTE REUNIÃO SOBRE A IMPLANTAÇÃO DO MODELO DE ESCOLA CÍVICO-MILITAR

A Direção do Sintep/MT – Subsede de Várzea Grande vem a público manifestar seu mais veemente repúdio à violência praticada contra um dirigente sindical durante a reunião realizada nesta segunda-feira (02/06), na Escola Estadual José Leite de Moraes, localizada na região do Cristo Rei, em Várzea Grande. O encontro tinha como objetivo apresentar à comunidade escolar o Modelo de Escola Cívico-Militar, em razão da consulta que ocorrerá nos dias 08 e 09 de junho.

A reunião, convocada pela gestão escolar, contou com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), do Serviço Militar, da comunidade escolar e de dirigentes sindicais da Subsede de Várzea Grande, que estiveram presentes para manifestar a posição histórica e estatutária do Sintep contrária aos processos de militarização das escolas públicas.

Ressalta-se que, antes da agressão física, o agressor já havia adotado uma postura intimidatória ao tentar interromper e impedir a fala do representante do Sintep/VG durante sua manifestação ao microfone. A tentativa de silenciar uma posição divergente demonstra intolerância ao debate democrático e evidencia que a violência praticada posteriormente não foi um ato isolado, mas o desdobramento de uma conduta voltada a constranger e impedir a livre participação sindical no espaço de discussão da comunidade escolar.

Após fazer uso da palavra, o dirigente sindical foi covardemente agredido com socos pelas costas, sendo derrubado ao chão, conforme demonstram as imagens amplamente divulgadas nas redes sociais e o Boletim de Ocorrência registrado junto às autoridades competentes. Até o momento, o agressor não foi identificado, tendo deixado o local logo após o ataque.

A Direção do Sintep/VG lamenta profundamente que o Governo de Mato Grosso continue patrocinando processos de militarização da educação pública, situação que vem se intensificando na rede estadual de ensino, especialmente em Várzea Grande.

Diante do fracasso das políticas de segurança pública, o Governo do Estado tem direcionado para as escolas estaduais a presença de militares da reserva e aposentados para ocuparem funções de inspeção, coordenação e gestão escolar. Tal medida ocorre, frequentemente, após anos de sucateamento da estrutura física das unidades, insuficiência de profissionais da educação e ausência de investimentos adequados para enfrentar os desafios cotidianos das escolas.

Nesse contexto, o governo se aproveita da legítima preocupação de pais, mães e da comunidade escolar diante dos problemas enfrentados pelas unidades de ensino para defender a transformação dessas escolas em instituições cívico-militares.

É preocupante observar discursos que desqualificam gestores escolares, professores e até mesmo as famílias dos estudantes, atribuindo-lhes incapacidade para garantir a aprendizagem e a convivência escolar. Conforme registrado em áudios da reunião realizada na EE José Leite de Moraes, também foram utilizados argumentos relacionados à presença de facções criminosas para justificar a implantação do modelo cívico-militar.

Tal argumento é revelador. Se há a presença de organizações criminosas influenciando a vida social, isso evidencia, antes de tudo, o fracasso das políticas públicas de segurança, cuja atuação deve ocorrer prioritariamente fora dos muros da escola. Da mesma forma, se o Estado assegurasse infraestrutura adequada, valorização profissional e contratação de pessoal em número suficiente, os problemas de indisciplina e aprendizagem poderiam ser enfrentados por meio de políticas pedagógicas e educacionais, e não pela imposição de um modelo baseado na hierarquia militar, na disciplina coercitiva e na redução dos espaços de diálogo.

A escola pública deve ser um espaço de formação crítica, democrática e cidadã, comprometida com a construção do conhecimento, o respeito à diversidade de ideias e a promoção da cultura de paz.

Quanto à violência sofrida pelo dirigente sindical, a Direção do Sintep/VG adotará todas as medidas cabíveis, em conjunto com sua assessoria jurídica, para identificar o agressor e promover a responsabilização necessária, de forma que episódios dessa natureza não se repitam em um ambiente que deve ser, acima de tudo, democrático e acolhedor.

Os dirigentes do Sintep/MT – Subsede de Várzea Grande, amparados pelos princípios constitucionais da liberdade de expressão, da democracia e da livre participação nos espaços públicos, continuarão presentes em todos os debates relacionados à educação pública, manifestando sua posição contrária à militarização das escolas e defendendo uma escola pública, gratuita, laica, democrática, desmilitarizada e socialmente referenciada.

A violência jamais poderá substituir o diálogo. Divergências de opinião são legítimas em uma sociedade democrática, mas agressões físicas, intimidações e tentativas de silenciamento representam grave afronta aos direitos fundamentais e ao ambiente democrático que deve prevalecer em todas as instituições educacionais.

Sintep/MT – Subsede de Várzea Grande

Livre, Democrático e de Luta!

Várzea Grande, 02 de junho de 2026.

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