Aos profissionais da educação pública
Em uma escola pública com mais de mil metros quadrados de área construída, ergue-se um paradoxo gritante: embora existam diversas salas e corredores intermináveis, os funcionários não dispõem sequer de um espaço adequado para aquecer água e preparar um chá. A ausência de uma sala de repouso ou de um ambiente digno para recompor as energias obriga esses profissionais a permanecerem nos corredores, expostos ao barulho constante, à circulação de pessoas e a diferentes situações de vulnerabilidade.
Essa negligência revela uma lógica perversa: o prédio é monumental, mas o cuidado com aqueles que também sustentam o cotidiano escolar permanece invisível. O trabalhador, que deveria ser valorizado como parte essencial do processo educativo, é relegado a uma condição de improviso e vulnerabilidade. Não se trata apenas de conforto, mas de respeito, dignidade e valorização humana.
O contraste entre a estrutura física e a ausência de espaços destinados ao bem-estar dos trabalhadores denuncia uma política que prioriza paredes e números, mas se esquece das pessoas. Revela, ainda, a qualidade das relações institucionais e a forma como os gestores tratam aqueles que contribuem diariamente para manter a escola em funcionamento. Sem condições mínimas de descanso e acolhimento, qualquer discurso sobre valorização dos profissionais da educação torna-se vazio.
Essa realidade não representa apenas uma negligência administrativa; configura, também, uma forma de assédio moral institucional, capaz de provocar adoecimento físico e emocional, intensificar o estresse e comprometer a saúde mental dos trabalhadores. Os profissionais da educação, especialmente os funcionários da escola, são colocados em uma posição de invisibilidade e desvalorização, tratados como peças descartáveis de uma engrenagem que ignora o fator humano. O resultado é uma instituição que adoece seus profissionais, fragiliza as relações de trabalho e perpetua práticas incompatíveis com os princípios éticos que devem orientar a educação pública.
Essa negligência institucional precisa ser enfrentada e denunciada.
Diante dessa realidade, o SINTEP/VG manifesta sua profunda indignação e conclama todos os profissionais que vivenciam situações de assédio moral, desrespeito ou falta de estrutura adequada a encaminharem seus relatos para o e-mail [email protected], para que sejam adotadas as providências cabíveis.
Cuidar de quem cuida da escola é cuidar da própria educação.
Nosso compromisso é lutar por:
- Combate ao assédio moral no ambiente escolar: exigir respeito mútuo e o fim de práticas humilhantes e abusivas.
- Política de prevenção: implementação de programas institucionais voltados à promoção da saúde física e mental, prevenindo o adoecimento dos servidores.
- Valorização humana: reconhecimento do papel essencial de todos os trabalhadores na construção de uma educação pública de qualidade.
- Espaços apropriados: criação de vestiários, salas de repouso, áreas de convivência dignas e demais estruturas necessárias ao bem-estar dos profissionais.
- Mobilização coletiva: união dos servidores, da comunidade escolar e da sociedade para exigir ambientes dignos e condições de trabalho justas.
Maria Aparecida A. Cortez (Cida Cortez)– Licenciada em Pedagogia, Especialista em Didática do Ensino Superior e Secretária de Assuntos Jurídicos do SINTEP/VG
SINTEP – 61 ANOS: LIVRE, DEMOCRÁTICO E DE LUTA.

