No dia 28 de outubro, se respeita o Dia do Servidor Pblico, no Brasil. Cenrios distintos, fazem com que a data seja vista de forma diferente por servidores federais e municipais. Enquanto o primeiro se preocupa com a atual conjuntura poltica, o segundo comemora avanos em negociaes e conquistas. ?Deveria ser um dia de comemora�o, mas estamos preocupados e angustiados?. A afirma�o do secretrio adjunto de Relaes do Trabalho da CUT, Pedro Armengol, que enxerga no discurso miditico o motivo principal da persegui�o aos servidores federais. ?Hoje, somos o principal alvo do ajuste fiscal. Embora falso, funcionou a afirma�o massificada pela imprensa, de que o Estado brasileiro est ?inchado?.? Segundo o dirigente, a partir desta afirma�o reverberada por setores da mdia brasileira, criou-se um mito de que diminuindo o nmero de servidores pblicos, comearamos a resolver a crise econmica no Pas. ?O ambiente preocupante e exige mobiliza�o nas ruas. N�o podemos reduzir o funcionalismo, temos que ampliar o quadro, o Brasil precisaria contratar muito ainda para chegar ao nvel de outros pases?, afirma Armengol. O dirigente tem raz�o, em sua afirma�o. Segundo levantamento da revista Carta Capital, que comparou dados do emprego em setores pblicos do Brasil com outros pases, estamos defasados. Os cruzamento de dados mostra que em 2013, o funcionalismo pblico brasileiro representava 12,11% do total de empregos no Pas, enquanto a mdia da Organiza�o para a Coopera�o e Desenvolvimento Econmico (OCDE) era de 21,28%. O Brasil aparece bem abaixo de pases considerados desenvolvidos e com economia saudvel, como Dinamarca (31,89%), Noruega (31,62%), Reino Unido (23,49%) e Canad (20,43%). O discurso do ?inchao do Estado? prejudicou, em 2015, as negociaes por reajuste salarial da categoria. ?As conversas se deram em um ambiente de crise poltica e fiscal. Graas press�o exercida pela classe trabalhadora, ainda conseguimos garantir parte da pauta?, explicou Armengol. Mais otimismo Para a secretria de Relaes do Trabalho da CUT, a servidora municipal Graa Costa, h motivos para celebrar nesta data. ?Sem dvida, temos uma conjuntura que oprime os servidores. Por outro lado, h a oportunidade de comemorarmos avanos que conquistamos. Se compararmos, por exemplo, a liberdade para a atua�o sindical hoje, com 20 anos atrs, veremos que avanamos, n�o podamos nem nos sindicalizar?, analisou a dirigente. Graa reconhece as dificuldades enfrentadas pelos servidores federais mas lembra que h diferenas nas negociaes e, por isso, houve xito nas campanhas salariais em 2015. ?Lidamos com cenrios distintos, onde a conjuntura poltica outra. Por conta disso, de uma forma geral, tivemos avanos especficos. A implanta�o do piso dos professores, por exemplo, tem sido uma vitria conquistada com a fora dos trabalhadores?, exemplificou a dirigente, lembrando que ainda h limitaes em algumas cidades. ?H municpios que n�o possuem sindicato ainda e ficamos merc da boa vontade dos prefeitos.? Se os caminhos apontam para realidades distintas, ambos concordam com o caminho a ser seguido. ?A forma de superar as dificuldades que est�o nos impondo a rua, com os trabalhadores lutando por seus direitos?, afirma Armengol. Graa segue a mesma linha. ?Se n�o houver mobilizaes, n�o vamos conseguir deter a onda conservadora. Est�o mexendo n�o s nos direitos dos servidores, mas nos direitos civis.?

