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ELEIÇÕES 2026: PROPOSTAS EM COMPARAÇÃO TEMA 12 — CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Pesquisa científica, inteligência artificial, universidades e desenvolvimento tecnológico: o que propõem Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o futuro do Brasil?

A ciência, a tecnologia e a inovação ocupam um espaço estratégico no debate eleitoral de 2026. Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, pela transformação digital dos serviços públicos e pelas mudanças no mercado de trabalho, as decisões do próximo governo poderão influenciar a educação, a economia, a saúde e a capacidade do Brasil de produzir conhecimento e desenvolver tecnologias próprias.

Mas quais são as propostas dos candidatos à Presidência? Como pretendem financiar a pesquisa científica, apoiar universidades, preparar trabalhadores para novas profissões e ampliar o acesso às tecnologias?

No Tema 12 da série “Eleições 2026: Propostas em Comparação”, o SINTEP/VG apresenta as principais diretrizes dos programas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A comparação considera compromissos documentados e destaca diferenças de prioridades, sem confundir propostas eleitorais com políticas já executadas.

 LULA (PT): INVESTIMENTO PÚBLICO, PESQUISA CIENTÍFICA E SOBERANIA TECNOLÓGICA

O programa de Lula propõe fortalecer a capacidade científica e tecnológica brasileira por meio de investimentos em pesquisa, formação de profissionais, modernização produtiva e desenvolvimento de tecnologias nacionais.

A estratégia atribui ao Estado um papel de coordenação e financiamento, em articulação com universidades, instituições científicas e empresas.

Principais propostas:

  • Ampliar os investimentos em ciência, tecnologia e inovação, fortalecendo a estrutura de pesquisa e desenvolvimento do país.
  • Valorizar pesquisadores e cientistas, com medidas para estimular a permanência de profissionais qualificados no Brasil e o retorno daqueles que trabalham no exterior.
  • Fortalecer universidades e instituições públicas de pesquisa, ampliando as condições de produção e circulação do conhecimento científico.
  • Desenvolver a soberania digital, com estímulo à infraestrutura tecnológica nacional, computação em nuvem, centros de processamento de dados e inteligência artificial.
  • Integrar ciência e desenvolvimento industrial, aproximando a pesquisa das necessidades da indústria, do agronegócio, da saúde e da transição energética.
  • Expandir a conectividade das escolas públicas, buscando universalizar o acesso à internet de qualidade e ampliar a inclusão digital.

O programa também relaciona inovação à modernização dos serviços públicos, à competitividade econômica e à redução das desigualdades regionais.

A proposta de Lula é dar continuidade a uma política de desenvolvimento científico apoiada por instituições públicas, buscando ampliar a capacidade nacional de produzir conhecimento e transformar resultados de pesquisa em soluções para a sociedade.

 FLÁVIO BOLSONARO (PL): INOVAÇÃO PRODUTIVA, FORMAÇÃO DE TALENTOS E APROXIMAÇÃO COM AS EMPRESAS

O programa de Flávio Bolsonaro apresenta a ciência e a tecnologia como instrumentos para elevar a produtividade, melhorar a qualificação profissional e aproximar o sistema educacional das demandas do mercado de trabalho.

Uma das mudanças estruturais propostas é transferir a responsabilidade pela gestão do ensino superior do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Principais propostas:

  • Aproximar universidades, pesquisa científica e setor produtivo, incentivando a aplicação do conhecimento em atividades econômicas.
  • Reorientar prioridades do CNPq, valorizando o impacto produtivo das pesquisas, a inovação e a transferência de tecnologia.
  • Aproximar a pós-graduação das necessidades do mercado, com mudanças nas prioridades de apoio da Capes.
  • Criar uma Política Nacional de Formação de Talentos, destinada a identificar habilidades e desenvolver competências relacionadas às profissões do futuro.
  • Ampliar o uso de tecnologias nas escolas, incluindo robótica, computadores, tablets, internet e inteligência artificial.
  • Reorganizar a gestão do ensino superior, transferindo sua governança para o MCTI, com o objetivo declarado de aproximar a graduação da ciência e da inovação.

O programa enfatiza resultados econômicos, formação profissional e transferência de conhecimento para empresas.

A proposta de reorganização ministerial representa uma diferença importante em relação ao modelo atual. Entretanto, sua implementação exigiria definições sobre orçamento, autonomia universitária, responsabilidades administrativas e preservação das funções de ensino, pesquisa e extensão.

 COMPARAÇÃO DAS PROPOSTAS

Tema Lula (PT) Flávio Bolsonaro (PL)
Investimento científico Fortalecimento e ampliação dos investimentos em ciência e pesquisa Priorização de pesquisas com impacto produtivo e transferência tecnológica
Universidades Fortalecimento e expansão da estrutura pública de ensino e pesquisa Transferência da governança do ensino superior do MEC para o MCTI
Pesquisa e pós-graduação Formação e valorização de pesquisadores e desenvolvimento científico nacional Maior aproximação do CNPq e da Capes com demandas produtivas e empresariais
Inteligência artificial Desenvolvimento de capacidades nacionais e soberania digital Formação de competências e utilização de novas tecnologias na educação
Inovação e economia Articulação entre Estado, universidades, indústria e setores produtivos Aproximação entre instituições de ensino, pesquisa e empresas
Inclusão digital Universalização da conectividade nas escolas públicas Ampliação do acesso a equipamentos, internet, robótica e tecnologias educacionais
Formação profissional Expansão da educação técnica, científica e tecnológica Política de formação de talentos e adequação às demandas do mercado

O ponto central da comparação: Lula prioriza o fortalecimento da capacidade científica nacional, com investimento público e soberania tecnológica. Flávio Bolsonaro enfatiza a aplicação econômica do conhecimento, a formação de talentos e a reorganização institucional para aproximar pesquisa e mercado.

As duas propostas reconhecem a importância da inovação, mas apresentam diferenças quanto ao papel do Estado, à organização das instituições e às prioridades de financiamento.

 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: COMO PREPARAR O BRASIL PARA AS MUDANÇAS?

A inteligência artificial já interfere na educação, no jornalismo, na indústria, na administração pública e em diversas profissões.

Sua expansão pode aumentar a produtividade e facilitar serviços, mas também exige atenção à proteção de dados, à transparência dos sistemas, à formação profissional e aos impactos sobre o emprego.

O programa de Lula destaca o desenvolvimento de capacidades tecnológicas nacionais e a soberania digital. Já Flávio Bolsonaro relaciona o uso de inteligência artificial à formação de estudantes e à modernização das competências profissionais.

Além das propostas apresentadas, permanecem questões fundamentais: quais serão as regras para o uso de inteligência artificial no setor público? Como serão protegidos os dados pessoais? Que investimentos permitirão formar trabalhadores para novas atividades?

A existência de diretrizes nos programas eleitorais não significa que todos os mecanismos de execução estejam definidos.

O QUE ESTÁ EM JOGO PARA OS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO?

A política científica e tecnológica influencia diretamente a escola pública e o trabalho dos profissionais da educação.

Conectividade e equipamentos: garantir internet, computadores e ferramentas digitais pode ampliar as oportunidades de aprendizagem, desde que exista manutenção, suporte técnico e acesso efetivo para todos os estudantes.

Formação dos profissionais: professores e demais trabalhadores precisam de formação continuada para utilizar tecnologias de maneira crítica, pedagógica e segura.

Inteligência artificial nas escolas: seu uso exige critérios pedagógicos, proteção de dados dos estudantes e respeito à autonomia profissional.

Valorização da pesquisa: universidades e instituições científicas produzem conhecimento que contribui para a formação docente, a saúde pública, a agricultura, o meio ambiente e a qualidade da educação.

Mercado de trabalho: a automação pode transformar profissões e exigir novas qualificações. As políticas públicas precisarão considerar tanto a produtividade quanto os direitos e a proteção social dos trabalhadores.

Para o SINTEP/VG, a comparação dessas propostas também permite discutir como os avanços tecnológicos poderão chegar às escolas públicas e contribuir para reduzir desigualdades educacionais.

PERGUNTAS QUE OS CANDIDATOS PRECISAM RESPONDER

  1. Quanto será destinado ao financiamento da pesquisa científica e tecnológica nos próximos quatro anos?
  2. Como garantir estabilidade orçamentária para universidades, institutos federais, Capes e CNPq?
  3. Quais medidas permitirão levar internet de qualidade e equipamentos adequados a todas as escolas públicas?
  4. Como assegurar formação continuada aos professores para o uso pedagógico da inteligência artificial?
  5. Que políticas protegerão trabalhadores afetados pela automação e pelas mudanças tecnológicas?
  6. Como garantir que a pesquisa científica produza benefícios sociais, além de resultados econômicos?
  7. Quais mecanismos assegurarão transparência, proteção de dados e responsabilidade no uso da inteligência artificial?
  8. Como serão preservadas a autonomia universitária e a diversidade das áreas de pesquisa?

 AVALIAÇÃO JORNALÍSTICA

Os programas de Lula e Flávio Bolsonaro reconhecem a ciência, a tecnologia e a inovação como elementos relevantes para o desenvolvimento do Brasil, mas diferem na organização das políticas e na definição de prioridades.

Lula apresenta uma estratégia de fortalecimento da estrutura científica nacional, associando investimento público, universidades, soberania digital e desenvolvimento produtivo.

Flávio Bolsonaro propõe aproximar a produção científica das demandas econômicas, priorizar a transferência de tecnologia e reorganizar a gestão do ensino superior, atribuindo ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação responsabilidades atualmente vinculadas ao MEC.

Uma diferença especialmente relevante envolve os critérios de financiamento da pesquisa. A valorização de aplicações econômicas pode favorecer determinadas áreas, mas exige esclarecimentos sobre como serão contempladas pesquisas básicas, ciências humanas e sociais e investigações cujos resultados não geram retorno comercial imediato.

Por outro lado, a ampliação do investimento público também precisa ser acompanhada de metas, transparência, avaliação de resultados e garantia de continuidade orçamentária.

O desafio para o próximo governo será transformar propostas em políticas capazes de ampliar o conhecimento, melhorar os serviços públicos, gerar oportunidades de trabalho e assegurar que os benefícios da tecnologia alcancem toda a população.

Mais do que acompanhar o desenvolvimento de novas ferramentas, o Brasil precisa discutir quem terá acesso a elas, quem financiará sua produção e como os resultados serão distribuídos socialmente.

FONTES

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Programas de governo dos candidatos à Presidência da República, eleições 2026, segundo turno.

https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/propostas-de-governo-dos-candidatos-ao-cargo-de-presidente-da-republica-eleicoes-2026-segundo-turno

Agência Brasil — Flávio quer escolas militares; Lula propõe ampliar educação integral. Reportagem com informações sobre ensino superior, pesquisa científica, pós-graduação e conectividade.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-10/flavio-quer-escolas-militares-lula-propoe-ampliar-educacao-integral

Startups — Eleições 2026: O que cada candidato propõe para inovação e tecnologia. Análise dos programas de governo registrados no TSE.

https://startups.com.br/negocios/inovacao/eleicoes-2026-o-que-cada-candidato-propoe-para-inovacao-e-tecnologia/

PRÓXIMO TEMA — TEMA 13: EDUCAÇÃO

Escola pública, valorização dos professores, financiamento, educação integral e acesso ao ensino superior: quais são as propostas dos candidatos para a educação brasileira?

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