Em assembleia, categoria decide permanecer nas escolas, cobra estudos técnicos sobre a proposta da Prefeitura e aprova abaixo-assinado e manifestação. SINTEP/VG questiona falta de esclarecimentos e aponta dificuldades no diálogo com a Secretaria de Educação.
A Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Várzea Grande (SMECEL) apresentou, na quarta-feira (28), Dia do Servidor Público, uma proposta de criação de cinco núcleos de monitoramento vinculados à Guarda Municipal. A medida foi discutida em reunião com os vigias da Rede Municipal de Ensino e representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Várzea Grande (SINTEP/VG).
A proposta prevê mudanças na organização do trabalho dos vigias. Segundo o Sindicato, porém, permaneceram dúvidas sobre o funcionamento dos núcleos, as atribuições dos profissionais e os possíveis impactos na segurança das unidades escolares.
Durante a reunião, a secretária municipal de Educação, Maria Fernanda de Figueiredo, afirmou que seria “conversa fiada” dizer que os vigias seriam remanejados do período noturno para o diurno, conforme relato do presidente do SINTEP/VG, professor Juscelino Dias de Moura.
O encontro também foi marcado por questionamentos sobre a participação dos representantes sindicais e dos trabalhadores. Segundo Juscelino, sua manifestação como presidente da entidade foi impedida sob a justificativa de que outra representante já havia falado em nome do Sindicato. Ele relatou que o microfone foi desligado quando tentou se pronunciar. A secretária deixou a reunião antes que todos os trabalhadores concluíssem suas manifestações.
Sindicato cobra transparência e respeito à representação sindical
A secretária de Assuntos Jurídicos e Legislativos do SINTEP/VG, Maria Aparecida de Arruda Cortez (Cida Cortez), questionou a falta de informações detalhadas sobre os núcleos, as atividades previstas e as responsabilidades que seriam atribuídas aos vigias.
O Sindicato cobra estudos técnicos que demonstrem a eficácia do modelo proposto, incluindo dados sobre eventuais reduções de violência, furtos e roubos nas escolas onde sistemas semelhantes já foram implantados. Para a entidade, é necessário esclarecer quais benefícios a mudança trará à segurança escolar e às condições de trabalho.
Juscelino afirmou que o Sindicato começou a acompanhar o assunto após ser procurado pelos próprios vigias, preocupados com possíveis alterações na lotação e na organização do trabalho. Segundo ele, a entidade realizou reuniões com a categoria, ouviu os profissionais e encaminhou documento formal à SMECEL. Na avaliação do presidente, a resposta da Secretaria não esclareceu suficientemente as dúvidas apresentadas.
“Não foi o SINTEP/VG que inventou essa discussão. Fomos procurados pelos próprios vigias, que solicitaram esclarecimentos sobre possíveis mudanças no trabalho. O Sindicato ouviu a categoria, construiu uma posição coletiva e encaminhou documento à Secretaria. Nosso compromisso é defender os trabalhadores e garantir que qualquer mudança seja discutida com transparência, respeito e participação de quem será diretamente afetado”, afirmou Juscelino.
O presidente também criticou a condução da reunião e considerou desrespeitoso ter sido impedido de falar em nome da entidade. “O SINTEP/VG tem representação própria e legitimidade para se manifestar. Impedir a fala do presidente do Sindicato em uma reunião que envolve diretamente os trabalhadores que representamos não contribui para o diálogo necessário”, declarou.
Assembleia rejeita transferência e aprova mobilização
Após a reunião da Secretaria, o SINTEP/VG realizou uma Assembleia Geral Extraordinária com os vigias, no Auditório da Guarda Municipal. Os trabalhadores puderam apresentar suas preocupações e deliberaram por unanimidade contra a transferência dos profissionais para os núcleos de monitoramento.
A categoria defendeu a permanência dos vigias nas escolas em que estão lotados, especialmente no período noturno. Os profissionais destacaram a importância da presença física para prevenir ocorrências, identificar problemas nas unidades e acionar os serviços responsáveis quando necessário.
Os trabalhadores também defenderam que câmeras e outros recursos de monitoramento eletrônico sejam utilizados como ferramentas complementares, sem substituir a presença dos vigias nas escolas municipais.
Entre os encaminhamentos aprovados estão:
- Permanência dos vigias nas unidades escolares e nos turnos de lotação, com rejeição à transferência para os núcleos;
- Solicitação de estudos técnicos que fundamentem a proposta e demonstrem seus impactos na segurança escolar;
- Abaixo-assinado em defesa da permanência dos profissionais nas escolas;
- Manifestação em frente à SMECEL para dar visibilidade à posição da categoria e solicitar a revisão da proposta;
- Nova assembleia, caso a Secretaria mantenha a medida.
A categoria também decidiu formalizar coletivamente sua posição, defendendo que as deliberações aprovadas em assembleia sejam respeitadas e não substituídas por consultas individuais aos trabalhadores.
SINTEP/VG reafirma compromisso com a categoria
O Sindicato informou que encaminhará formalmente as decisões da assembleia à Secretaria Municipal de Educação e continuará cobrando esclarecimentos e diálogo antes de qualquer mudança.
Ao reafirmar a posição da entidade, Juscelino destacou o compromisso do Sindicato com a defesa dos profissionais da educação: “O SINTEP/VG não será omisso. Onde houver trabalhador, estaremos presentes. Onde houver direito a defender, estaremos na luta. O sindicato não pertence a uma pessoa: pertence à categoria”.
Para o SINTEP/VG, qualquer proposta que altere a organização do trabalho dos vigias precisa ser acompanhada de fundamentação técnica, transparência e participação efetiva dos profissionais. A entidade afirma que seguirá mobilizada em defesa dos direitos dos trabalhadores e da segurança nas escolas municipais.

